Escritos
Resolvi colocar uns textos de um tempo em que eu era outra pessoa.  __________________________________________________________ Des-Ordem Um vitral quebrado, faz estilhaços formarem estrelas num chão que outrora foi coberto de pessoas fúteis. A poeira encobre a vergonha da luz, e o reflexo turvo de todos os medos jaz em uma ruína no precipício da divindade. Uma planície em preto-e-branco, um sino manchado de lembranças, dançando em uma noite quente. __________________________________________________________ Cinza No quarto em que os fantasmas conversam, as janelas ficam despidas pelo medo. Há restos de lembranças que não existem abandonadas na varanda de um poço velho. A madeira escura esconde a vida, e a vida se esconde do frio. Manequins de expressões rasgadas enfeitam a sala do mal-estar. Pequenos pedaços de coragem iluminam o que sobrou do passado. Um vaso quebrado, um quadro queimado, se transformam em bestas aladas. O espelho do corredor reflete o vazio que sobra na alma de cada um. As aranhas se preparam para o chá, enquanto o silêncio dorme em seu trono. Cada canto, em cada cômodo, abriga uma dimensão escondida. Confuso e sem cuidado é o palácio da morte. __________________________________________________________ Desejos Um garoto sentado a beira do abismo, contemplando o infinito, sem asas, grita. Um automóvel parado na esquina, espalhando visões de Deus, sem fé, morre. Uma prateleira vazia e quebrada, escondendo a verdade, sem portas, queima. Um relógio de parede antigo, vigiando a eternidade, sem luz, chora. Uma brisa que passa despercebida, brincando com as dimensões, sem alma, conquista o mundo. __________________________________________________________ Mitos Há pequenos devaneios em cada canto da casa, pequenas pegadas de almas futuras. Um dragão de nove cabeças olha pela janela, uma pequena estátua de Sheeva numa árvore. A quintêssencia do ser brinca de esconde-esconde com as flores no jardim. O rio Lethes transporta verdades, por todo o caminho de pedras mortas. Uma dimensão se esconde atrás de uma estátua de Buddah. O Tao está preso entre duas paredes feitas do mais fino mal. As folhas murxas que caem da Yggdrasil desenham o universo em um chão eterno. Terras sem-fim de virtudes corrompidas, enterram o olho de Hórus. Um livro esquecido cai do alto da estante e na queda destrói todas as crenças. __________________________________________________________ Máscara
Sob uma escadaria velha, da morte só existe sombra
Escrito por • é l i o • às 22h55
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